AUTOCUIDADO: UMA QUESTÃO DE AMOR PRÓPRIO

      Desde a década de 1990 o mundo adota o mês de outubro, através da campanha Outubro Rosa, como um período de promoção de ações com foco em informar e engajar a sociedade – pessoas, organizações e empresas – em prol da conscientização da prevenção e controle do câncer de mama.
      Segundo o Instituto Nacional do Câncer (INC), para 2020 são estimados 66 mil novos casos de câncer de mama no Brasil, sendo este o quinto maior causador de morte por câncer em geral e o principal causador de morte por câncer entre o público feminino.
      A boa notícia é que com o avanço da ciência, atualmente no Brasil pelo menos 90% dos casos diagnosticados precocemente têm tido sucesso terapêutico e uma sobrevida significativa depois do período de acompanhamento de cinco anos. E confirma aquele ditado que ouvimos desde as nossas avós: “Prevenir é (de longe) o melhor remédio”.

 A mulher e o autocuidado

      Culturalmente, por várias e várias gerações, a mulher é vista como aquela que é “responsável” por cuidar primeiro dos outros em todos os espaços. Não é à toa que ainda hoje é comum que profissões como enfermagem, cuidador de idosos, ensino infantil, por serem relacionadas ao cuidado com o outro, sejam associadas à figura feminina.
      Nesse contexto, por vezes até sem perceber, a mulher ainda enfrenta muitos conflitos internos. Ao usar o seu tempo para ‘dar conta’ dos seus múltiplos papéis, por muitas vezes, o cuidado com a própria saúde acaba ficando em último plano. 
      Essa necessidade internalizada pela mulher em achar que ‘tem que dar conta de tudo’, chega a gerar uma autocobrança que por vezes se traduz em sentimento de culpa, embora no fundo saiba que é impossível dar conta de absolutamente tudo. Ela também tem consciência de que precisa cuidar da sua saúde física e mental, e nem sempre consegue.
      Quando nos referimos ao autocuidado, estamos falando sobre conjunto de comportamentos e atitudes que tomamos em nosso próprio benefício, em prol da nossa saúde integral – física, mental e emocional. Sobre o entendimento das nossas próprias necessidades e preferências.
     E esse cuidado pode ser manifestado em pequenas atitudes e comportamentos diários de zelo consigo própria. Trata-se de um exercício diário de carinho com a nossa vida!
     Um bom começo para que você observe como anda o seu autocuidado é respondendo a si própria a essas questões:

  • Você sabe o que te dá prazer e recarrega as suas energias?
  • O quão bem você tem cuidado da qualidade do seu descanso?
  • As suas necessidades também são priorizadas ou você trata as dos outros como mais importantes?
  • Você evita o enfrentamento de questões que precisam de solução?
  • Você cuida da sua saúde e está com os exames periódicos em dia?

     Mas atenção: autocuidado não significa “ter que” estar bem 100% do tempo!

     Precisamos aprender a viver de forma equilibrada, aceitando que está tudo bem não dar conta de tudo o tempo todo, tudo bem não estar feliz o tempo todo. E que podemos reagir naturalmente e com sinceridade tanto às situações tranquilas quanto às mais desafiadoras.
   Por isso, campanhas informativas como o Outubro Rosa são de extrema importância, para alertar às mulheres sobre a necessidade do autocuidado, bem como orientar e oferecer suporte emocional.
     É preciso estar bem emocionalmente para superar o câncer de mama, uma doença que afeta profundamente a vida de uma mulher. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria, cerca de 25% das mulheres diagnosticadas com câncer de mama desenvolvem ou agravam quadros depressivos (enquanto em média 7% das mulheres apresentam depressão). Portanto, além de todos os cuidados físicos, temos que acolher e tratar os sentimentos que afloram, como medo, angústia ou depressão.

Como prevenir?

      O autocuidado é fator crucial na prevenção ao câncer de mama, visto que cerca de 30% dos casos podem ser evitados a partir da adoção de hábitos saudáveis como a prática de exercícios físicos, alimentação saudável e manutenção de peso corporal adequado, aliados a identificação e controle precoce por meio de exames preventivos.
      A primeira recomendação é a realização do autoexame das mamas regularmente, de preferência no mesmo dia do mês, para observar se há alguma alteração na mama como inchaço, tamanho, formato, presença de nódulo, aspecto da pele ou qualquer outra diferença que chame a atenção.
      A partir dos 40 anos, a mamografia é o exame mais eficaz recomendado, e deve ser feita anualmente, além do autoexame mensal. Essa estratégia de rastreamento ajuda a identificar o câncer antes mesmo que a paciente apresente os sintomas.
      Encontre um tempo para a prevenção, não deixe para quando for ‘tarde demais’!
      Seja generosa consigo mesma, cuide-se, valorize-se e busque o seu bem-estar integral!
      Lembre-se que na vida, tão importante quanto pensar sobre o caminho a ser percorrido, é pensar sobre o modo como desejamos percorrê-lo. E você pode procurar ajuda a qualquer momento!

patrícia pereira
PSICÓLOGA CLÍNICA CRP 13/9551

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