O PAPEL DO REMÉDIO EM SAÚDE MENTAL

             Os medicamentos em saúde mental, como parte do tratamento dos transtornos mentais, são envoltos em uma série de tabus e preconceitos.
             Os psicofármacos, começaram a ser utilizados na década de 40, com o surgimento do lítio e dos primeiros antipsicóticos, utilizados em casos de mania no transtorno afetivo bipolar.
             Posteriormente surgiram os antidepressivos, pela observação de medicações utilizadas na tuberculose que produziam elevação no humor.
             Em primeiro momento, essas medicações eram utilizadas de forma empírica, ou seja, na maioria dos casos não se sabiam mecanismos de ações e efeitos colaterais.
             Mesmo assim nos anos posteriores, com a introdução dos psicofármacos, foi verificado diminuição importante em admissões nas internações psiquiátricas e redução no tempo de permanência hospitalar.
             Na década de 90 houve a popularização das medicações na Saúde mental, com aumento das classes e do número de medicações disponíveis.
             Com a evolução dos psicofármacos, concomitantemente houve a elucidação dos mecanismos de ação. Não apenas isso, mas houve evolução no entendimento dos mecanismos de disfunção neuronal nos transtornos mentais.
             A evolução dos psicofármacos gerou evolução no estudo dos transtornos mentais, com a criação de hipóteses e a comprovações através de estudos mais recentes de neuroimagem e genética.
             As indicações de um psicofármaco nos transtornos mentais, hoje, são bem claras, por haver maior conhecimento das patologias e como as medicações agem.
             Temos protocolos mundiais bem estabelecidos, com diversas publicações e pesquisas que corroboram a eficácia do uso.
             O importante é ressaltar que a avaliação do paciente é individual, bem como da gravidade e curso do transtorno. Além disso a indicação de uma medicação deve ser avaliada por um profissional capacitado, no caso o psiquiatra.
             Eu acredito que o tratamento do paciente na saúde mental não engloba apenas medicação.
             Diversos estudos, há muitos anos, comprovam que diversas terapias psicoterápicas são comprovadamente eficazes, tanto em conjunto com os psicofármacos, como individualmente.
             Os psicólogos, com diversas linhas de pensamento, necessitam também entender as indicações, mecanismo de ações e efeitos colaterais dos psicofármacos. Em muitas situações o psicólogo deve observar o momento correto que o paciente deve passar por avaliação do psiquiatra para outras intervenções terapêuticas. Pois paciente deve ser tratado conjuntamente.
             O contrário também é verdadeiro, na psiquiatria precisamos ser conhecedores das diversas terapias existentes, para ter uma melhor avaliação da terapêutica mais eficaz para nosso paciente. Na psicologia se faz necessário que se conheça as diversas áreas de atuação da psiquiatria, das teorias e hipóteses acerca dos transtornos mentais e como devemos trabalhar conjuntamente para benefício do paciente.
             O papel do psiquiatra na vida do paciente não é apenas prescrever medicações. A avaliação e o acompanhamento do paciente também é fundamental no tratamento. A relação médico e paciente, também é comprovadamente um dos fatores para adesão e eficácia do tratamento.
             A relação do psiquiatria e do psicólogo nessa dinâmica é fundamental, não apenas para compartilhar saberes ou discussão dos casos, mas também para trabalhar de modo conjunto, dentro de uma equipe multidisciplinar. Nessa relação deve caber planejamento e construção da melhor abordagem para cada paciente, individualmente. A relação deve ser estreita, para que aja melhores resultados.
             Também cabe ressaltar o papel importante de assistentes sociais, enfermeiros, técnicos de enfermagem, cuidadores, fisioterapeutas, nutricionistas, educadores físicos, psicopedagogos, fonoaudiologos, terapeutas ocupacionais e outras muitas profissões necessárias na saúde mental.
             O cuidado na saúde mental vai além das medicações. Envolve uma dinâmica complexa de vários profissionais, terapêuticas e de cada paciente. O trabalho conjunto gera melhores estratégias e melhor qualidade de vida para nossos pacientes.

YGOR BEREZA
MÉDICO RESIDENTE CRm pb 12236

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